Boas práticas

TURISMO RESPONSÁVEL

Seguimos uma política de Turismo Responsável, validada em 2019 pela certificação BIOSPHERE Responsible Tourism (mais informações aqui). E, para além disso, temos o selo “Clean&Safe” do Turismo de Portugal e a certificação “Safe Travels” da World Travel & Tourism Council (que representa o sector das viagens e do turismo a nível global).

Desde que a Macro Viagens existe que fazemos questão de transmitir a quem viaja connosco aquilo que consideramos que são as boas práticas de Turismo Responsável. O nosso obectivo é que as viagens que organizamos sejam vividas de forma mais conscientes, a todos os níveis.

É que viajar pode ser uma actividade muito enriquecedora, mas tem um enorme impacto negativo, a vários níveis. Daí a importância das práticas de Turismo Responsável.

Desde 2009, segundo a Organização Mundial de Turismo, tem havido um aumento de 9% de viajantes a cada ano. Em 2000 foram “apenas” 674 milhões. Para 2030 estão previstos 1,2 bilião de viajantes internacionais.

É por isso cada vez mais importante estarmos conscientes do impacto negativo que o turismo pode ter e fazermos (todos) escolhas mais conscientes e responsáveis sempre que viajamos.

Se há coisas que não podemos evitar – como as viagens de avião para destinos intercontinentais, alguns transportes terrestres privados e as condicionantes socioculturais dos países de destino -, há outras práticas de Turismo Responsável que podemos adoptar e, até, influenciar positivamente outros.

Nós, como agência de viagens com grandes preocupações com o Turismo Responsável, com uma actividade mais ética e mais sustentável, tentamos fazer uma grande parte. Mas é sempre o viajante que tem o papel mais determinante!

Por isso, para começar, sugerimos o livro Lixo Zero da nossa querida Ana Milhazes – com quem já aprendemos tanto -, que tem óptimas dicas (quer para viagens mais sustentáveis, quer para reduzir a pegada negativa no dia-a-dia). E também o “Manifesto do Turista Responsável” da BIOSPHERE.

No final deste artigo deixamos um guia com algumas sugestões de boas práticas de Turismo Responsável para viajantes mais conscientes. Ao escolher viajar connosco, já está a fazer uma escolha mais responsável, mas como viajante consciente que esperamos que queira cada vez mais ser, pode fazer também alguns esforços pessoais minimizando, assim, a pegada negativa resultante das viagens que faz.

Mas vamos primeiro ao nosso papel como Agência de Viagens e ao que nós fazemos.

ALGUMAS DAS NOSSAS MEDIDAS DE TURISMO RESPONSÁVEL

  • Escolhemos apenas destinos onde ainda não existe uma massificação desmedida do turismo.
  • Estamos profundamente convencidos de que o turismo responsável é muito importante para a paz, já que permite contacto directo entre homens e mulheres de culturas, modos de vida, religiões e convicções muito diferentes. Também por isso, nas viagens que organizamos há sempre contacto directo com as populações locais, respeitando os costumes e tradições, de forma benéfica para todos.
  • Os nossos programas têm refeições exclusivamente vegetarianas (uma das indústrias mais poluente do mundo é a da carne, já para não falar no sofrimento animal que daí advém e nos problemas de saúde). A alimentação que oferecemos é, sempre que possível, tradicional, com produtos locais (minimizando também assim os custos para o ambiente que advêm das importações de alimentos).
  • Acreditamos que só uma real mudança de consciência poderá fazer uma diferença sustentável, por isso nas viagens que organizamos existe sempre contacto com ensinamentos Budistas e de outras tradições espirituais.
  • Temos uma grande preocupação com a saúde de quem viaja connosco e por isso temos tendência para pedir algumas pequenas alterações aos menus (alimentos com menos açúcar adicionado, redução do uso de lacticínios, diminuição do uso de sal, etc. – ainda que culturalmente seja difícil contornar estas questões). E tentamos escolher mais “comida de verdade”, em vez de alimentos processados e artificiais.
  • Oferecemos experiências locais e de incentivo à preservação da cultura tradicional, não gostamos da cultura-de-museu, mas sim de ver a vida como ela é, sempre com respeito e preocupação com a preservação da cultura e das tradições.
  • A maioria dos fornecedores com quem trabalhamos são de pequena dimensão (não trabalhámos, por norma, com grandes grupos económicos). Queremos que o dinheiro fique nas populações, alimente os negócios familiares e que não vá parar às grandes empresas multinacionais.
  • Sempre que possível, escolhemos fornecedores ligados a associações humanitárias ou religiosas (quer para os alojamentos, quer para as tours que fazemos). Assim, contribuímos de forma directa para apoiar causas sociais.
  • Temos uma grande preocupação em valorizar os serviços que os nossos fornecedores nos prestam e fazemos questão de pagar preços justos – pode saber mais sobre o nosso código de conduta para parcerias locais e política de desenvolvimento socioeconómico aqui.
  • Doamos uma percentagem do lucro de cada programa de viagem a instituições no país de destino. Até agora, já contribuímos para:
    • Helping Hands Organisation (apoio a crianças com autismo, em Kerala, na Índia);
    • Namaste Wings to Fly (apoio a crianças com carências, em Kerala);
    • Bethlehem Abhaya Bhavan Charitable Society (apoio a idosos, em Kerala);
    • Mosteiro de Monjas Budistas (Índia, Himalaias);
    • Orfanato em Kochin (Kerala, Índia);
    • Escola de Ensino Médio (Índia, Himalaias);
    • Organização Budista (Sri Lanka).
  • Durante as viagens fazemos outros donativos e incentivamos que quem viaja connosco o faça também.
  • Temos uma grande preocupação em ajudar os nossos fornecedores a serem cada vez mais sustentáveis, partilhando com eles boas práticas de Turismo Responsável e valorizando as mudanças que conseguem concretizar. Mas respeitando sempre as limitações que cada um enfrenta.
  • Não fazemos actividades que incluam exploração animal, não visitamos animais em cativeiro, nem fazemos práticas que perturbem a sua vida no seu habitat natural.

SUGESTÕES DE BOAS PRÁTICAS
PARA VIAJANTES MAIS CONSCIENTE

Como provavelmente sabe, nos países para onde organizamos viagens, não é de todo conveniente beber água da torneira. No entanto, em vários locais por onde passamos, existe água filtrada boa para consumo (nós, organização, damos sempre essas indicações).

Assim, se levar a sua garrafinha de água reutilizável, poderá enchê-la em vez de ter consumir dezenas e dezenas de garrafas de plástico.

Opte por garrafas em aço inoxidável, têm uma maior duração e são de material mais benéfico para a sua saúde.

As viagens que organizamos incluem todas (ou quase todas) as refeições. No entanto, vão existir ocasiões onde cada um pode escolher o que quer comer (algumas refeições podem ter de ser feitas em restaurantes com serviço buffet, onde por vezes existem também opções não vegetarianas – que são para outros clientes).

Nessas ocasiões, sugerimos que respeite o cariz vegetariano das nossas viagens e que continue a optar por comida vegetariana, tradicional e, preferencialmente, feita com produtos locais.

Para além de ser mais saudável, é sem dúvida mais sustentável.

Nem sempre é fácil, ainda para mais nos países para onde organizamos viagens, mas é muitas vezes possível fazermos algumas boas escolhas.

Assim, podemos sempre recusar palhinhas (ou até levar de casa a nossa palhinha em inox), não usar nem levar para casa as miniaturas oferecidas nos Hotéis (shampoo, condicionador, gel de banho etc.), usar sacos de pano em vez de plástico (se tiver sempre um saco de pano consigo, mais fácil se torna), não levar balões ou outros brinquedos em plástico para oferecer a crianças, etc.

Todos gostamos de trazer recordações das viagens que fazemos, mas é importante ter em mente algumas questões importantes:

  • Não compre em excesso, nem inutilidades;
  • Tenha atenção aos materiais das peças que compra (não adquira objectos em plástico, de marfim, corais, pele de animais, com penas,…);
  • Privilegie o comercio tradicional;
  • Questione-se sobre a origem dos produtos que compra;
  • Tenha atenção às embalagens dos produtos que compra – muitos produtos vêm embrulhados em plástico, até produtos ditos ecológicos (!!!);
  • Faça questão de pagar o preço justo;
  • Compre bens duradouros.

Quando nos oferecem algo, a nossa tentação é a de aceitar sem pensar. Mas é muito importante saber recusar: mapas, flyers, brindes, as já mencionadas palhinhas, etc.

O destino destas “inutilidades” é, invariavelmente, o lixo.

Por isso, saber dizer “não, obrigado, mas não quero” é muito importante.

Claro que há documentos que temos de imprimir, mas sempre que conseguirmos contornar as impressões, devemos fazê-lo.

Assim, se tem um smartphone e está familiarizado com as suas potencialidades, em vez de imprimir toda a documentação, pode levá-la disponível para visualização no seu telemóvel.

A água é um bem precioso. Por isso, temos de estar bem conscientes disso e aprender a usar a água de forma consciente.

Seja no banho ou quando pede para lhe trocarem as toalhas no alojamento onde está, é importante não esquecer de que a água é um bem escasso.

Nos países para onde organizamos viagens, é usual tomar-se banho com dois baldes (um pequeno e um grande) e é curioso como essa prática limita mesmo muito o gasto desnecessário de água.

Não que o tenha de fazer, mas deixamos este exemplo para reflexão.

Normalmente nos locais onde ficamos alojados, os quartos só são limpos a pedido. 

A menos que precise realmente, faça um esforço para não pedir que os quartos sejam limpos todos os dias, nem que as toalhas e lençóis sejam trocados diariamente. Na sua casa isso provavelmente não acontece.

Todos os animais, selvagens ou não, mamíferos ou répteis, bonitos ou feios aos nossos olhos, devem ser respeitados.

Assim, aconselhamos seriamente a não perturbar a vida animal.

Isso passa tanto por não tentar fazer festas a animais selvagens (golfinhos, macacos, etc), como por não chamar cães que estão do outro lado da rua e que podem ser atropelados ao atravessar, como não alimentar animais selvagens (isto torna-os dependentes do Homem e altera o seu comportamento natural).

Para além disso, consideramos que todos os animais – até aqueles que nos parecem mais repugnantes – têm o direito à vida. Assim, sugerimos que se encontrar algum ser vivo mais repugnante (barata, insecto, etc), o tente afastar, em vez de o matar.

Se precisar de ajuda, peça-nos (o Igor está disponível, já a Diana, ainda está a lutar contra a repugnância que sente por alguns destes bichos que sabe serem inofensivos – ehehe).

Temos uma grande preocupação em não incluir nos nossos programas actividades que não respeitem os animais e estamos sempre prontos para ajudar algum animal que precise, assim esperamos que siga o nosso exemplo.

Não leve para casa “só uma pedrinha”, “só esta conchinha”, “só aquela planta” ou “só este saquinho de areia”.

Se todos os viajantes levarem para casa “só” isto ou aquilo, isso poderá ter um grande impacto a longo prazo. Deixe a natureza onde como a encontrou e leve apenas fotografias e memórias como recordações.

Não leve roupa que já não usa – e que muitas vezes não é sequer usada nos países para onde viajamos devido às diferenças culturais – para deixar lá.

Não leve doces, nem brinquedos de plástico, balões, etc para oferecer a crianças.

Os doces não são benéficos para a saúde nem de crianças, nem de adultos e o plástico é muito prejudicial para o ambiente.

Para além disso, isto cria o hábito de “pedir” nas crianças, que o começam a fazer mal vêm turistas. Nas escolas, favelas, etc que visitamos esse hábito (ainda) não existe e não queremos que isso mude.

Informe-se também antes de oferecer material escolar. Existem zonas (como por exemplo é o caso do estado de Kerala, na Índia) onde quem estuda tem acesso a tudo gratuitamente, incluindo material escolar.

Em resumo, a maioria das coisas que oferecemos são inúteis e vão parar em pouco tempo ao lixo – que ainda por cima nestes países, pode ser no chão, na rua, na natureza.

Se quiser ajudar, faça um donativo em dinheiro ou em géneros a associações credíveis, que se encarregam de ajudar quem precisa, fazendo-lhes chegar bens e dinheiro.

Não fotografe sem pedir autorização, muito menos sem falar com a pessoa.

É natural que sinta vontade de fotografar, mas pense sempre que são pessoas, que devem ser respeitadas, tal como gostaria de ser respeitado.

Não fotografe miséria, nem situações desumanas.

Peça autorização e mostre sempre a fotografia à pessoa fotografada.

Por outro lado, e especialmente na Índia, toda a gente quer tirar fotografias connosco, porque somos diferentes deles. Assim, quando achar que está farto que lhe peçam se podem tirar uma fotografia consigo, lembre-se que também já os quis – e quer – fotografar.

Em alguns países, como na Índia, existe um grande negócio à volta da mendicidade. A maioria das pessoas que estão a pedir – nas grandes cidades – são explorados por organizações criminosas.

Para além disso, muitos daqueles que pedem nas ruas são crianças.  Ao contribuirmos para que ao fim do dia levem dinheiro para casa, estamos a fazer com que a possibilidade de irem à escola, seja cada vez menor.

Não contribua para estes “negócios”. Se quiser dar, faça donativos a instituições credíveis não governamentais ou religiosas. Ou então, ofereça comida, mas comida que não possa ser devolvida ao supermercado em troca do dinheiro ou vendida.

Parece estranho, mas não é. Nós explicamos: dar gorjetas demasiado elevadas, faz com que as populações locais se habituem a inflacionar os preços para os turistas e desequilibra a economia.

Se fizer uma viagem de Tuk Tuk na Índia por Rs.200 e der Rs.100 de gorjeta, isso não é equilibrado.  Já se der Rs.20, esse valor é razoável e será apreciado. 

Pagar os preços justos, é equilibrado e nós somos a favor disso. Também não somos apologistas de regatear, para além do que é suposto nestas culturas. Dar a mais, tem impacto na cultura e na mentalidade das populações. Dar a menos, também.

Vamos a um exemplo prático? Imagine que trabalha como taxista cá em Portugal, faz uma viagem de 15€ e recebe 10€ de gorjeta, o quão esquisito isso seria?!

Dar 10% ou 15% de gorjeta do valor pago, é normalmente o mais equilibrado.

“Em Roma, sê Romano”, é por este ditado que nos regemos.

Assim, pedimos a todos os viajantes que respeitem a cultura e tradições locais e que tentem não fazer julgamentos, mas perceber as diferenças e não ter comportamentos que possam chocar.

Isto reflecte-se na roupa que pedimos que usem (que no caso das mulheres deve cobrir pernas, peito e ombros e não deve ser reveladora, especialmente na Índia), no respeito pelos costumes locais, nos templos, ashrams e mosteiros, devemos ter uma atitude respeitadora e introspectiva e seguir as indicações que nos forem dadas, ainda que muitas vezes nos pareçam estranhas.

Aproveite todas as viagens que faz para cultivar o não julgamento.

Tentamos incluir em todos os nossos programas de viagem alguns momentos de Karma Yoga

Karma Yoga é serviço abnegado, ou seja, é trabalho voluntário. É o acto de servir, sem esperar nada em troca, livre da expectativa de reconhecimento, resultados e atenção.

Tradicionalmente dedica-se o Karma Yoga ao mestre, ao guru ou a Deus.

Esta prática beneficia tanto quem pratica, como quem usufrui. Não é obrigatório participar, claro, mas é benéfico, especialmente para quem o faz.

As actividades de Karma Yoga, podem passar por recolher lixo na praia, por fazer actividades com crianças, ajudar na construção de uma Stupa, plantar árvores, limpar um mosteiro, lavar a louça,… as possibilidades são várias e sempre diferentes.

Em cada programa de viagem sugerimos algumas, de acordo com as necessidades que encontramos.

Privilegie produtos de higiene e beleza mais amigos do ambiente (e da saúde), tais como: sabão, shampoo e amaciador de cabelo em barra, escova de dentes em bambu, protectores solares ecológicos, embalagens reutilizáveis, ingredientes naturais, etc.

Existem imensas marcas familiares de produtos naturais à venda em Portugal, é uma questão de pesquisar online. Nós costumamos comprar na Mind The Trash e gostamos muito (tanto dos valores deste projecto como dos produtos).

Existem muitas práticas mais “convencionais”, que queremos acreditar que na nossa cultura já estão quase completamente enraizadas, tais como:

  • Não deitar lixo para o chão (nem beatas de cigarro que não se degradam facilmente);
  • Não desperdiçar comida (pedir apenas o que conseguimos comer ou levar para comer / doar as sobras);
  • Não deitar fora garrafas de água ainda com água (podemos usar essa água para regar plantas ou lavar os dentes);
  • Não deixar luzes, ventoinhas ou ar condicionado ligados no quarto sem ninguém lá dentro;
  • Confirmar se as torneiras estão bem fechadas e se não estão a pingar;
  • Não usar elevadores para subir ou descer apenas um andar;
  • Não chamar um táxi ou tuk tuk (Auto Rickshaw) para uma distancia pequena, em vez de ir a pé.

No entanto temos de estar muito atentos e conscientes, caso contrário facilmente perdemos a atenção e não fazemos coisas tão simples como estas.

Lembre-se sempre de que cada pequeno acto ou escolha que faz, conta. E de que é mesmo muito importante estarmos lúcidos, a todo o momento.

Esse é um trabalho contínuo de cada um, inclusive nós, claro. Não somos – longe disso! – perfeitos, mas queremos estar cada vez mais conscientes e trilhar um caminho mais sustentável.

Tem dúvidas?

FALE CONNOSCO